Espondilite anquilosante: sintomas, causas e tratamentos

Espondilite Anquilosante é uma doença inflamatória crônica, imunomediada, que afeta predominantemente as articulações da coluna vertebral e as articulações sacroilíacas (que ligam a base da coluna à bacia).

O processo inflamatório persistente leva à dor e, com o tempo, pode resultar em fusão óssea (anquilose) entre as vértebras, limitando significativamente a mobilidade física. A Espondilite Anquilosante (EA) é classificada no grupo das espondiloartrites e tem forte associação com o marcador genético HLA-B27, embora sua causa exata seja multifatorial, envolvendo predisposição genética e fatores ambientais.

Sinais e sintomas da espondilite anquilosante

Reconhecer precocemente os sintomas da espondilite anquilosante é crucial para um prognóstico melhor. A manifestação clássica é uma dor nas costas de caráter inflamatório, que se diferencia das dores mecânicas comuns. Esta dor pode causar grande desconforto e apresenta características específicas:

  • Dor noturna: Muitas vezes o paciente acorda durante a madrugada de tanta dor.
  • Rigidez matinal: Sensação de “travamento” da coluna ao acordar, que dura mais de 30 minutos e melhora com o movimento e banho quente.
  • Melhora com atividade e piora com repouso: A dor inflamatória tende a aliviar com exercícios e piorar em momentos de inatividade.
  • Início insidioso: A dor começa de forma gradual e vai piorando ao longo de semanas ou meses.

 

Além da dor lombar, outros sinais e sintomas comuns incluem dor e rigidez em outras regiões, como nádegas, coxas (artrite de quadril ou joelhos) e na região do tórax, causando dor e sensação de aperto no peito que pode afetar a função pulmonar.

A inflamação também pode atingir os locais de inserção de tendões e ligamentos nos ossos (entesite), como no calcanhar, causando dor no pé.

A grande diferença entre a dor nas costas comum e a dor decorrente de Espondilite Anquilosante é que dor comum a mesma desaparece, sobretudo após a medicação. Na Espondilite Anquilosante a dor prossegue e se intensifica, mesmo em repouso ou com pouca movimentação.

A dor da Espondilite Anquilosante sempre piora em repouso, enquanto em outras condições a inércia pode ser motivo de dor amenizando ou desaparecendo.

Manifestações extra-articulares: quando a EA vai além das articulações

A doença pode se manifestar em outros órgãos além do sistema musculoesquelético. A mais comum é a uveíte anterior, uma inflamação aguda e dolorosa no olho que causa vermelhidão, fotofobia e visão turva, exigindo avaliação oftalmológica urgente.

Outras complicações possíveis incluem doenças inflamatórias intestinais (como Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa), psoríase e, em casos de longa evolução, pode haver associação com doença cardiovascular. Essas associações reforçam a necessidade de um acompanhamento multidisciplinar.

Diagnóstico precoce: a chave para preservar a mobilidade

O diagnóstico da EA é clínico, baseado na história do paciente e no exame físico, e auxiliado por exames de imagem e laboratório. Devido à natureza sorrateira dos sintomas iniciais, muitos pacientes peregrinam por anos entre diferentes profissionais antes de receber o diagnóstico correto.

É comum que os primeiros sinais e sintomas surjam em adultos jovens, entre 20 e 40 anos de idade.

O exame de imagem mais sensível para detectar a inflamação precoce, antes mesmo das alterações visíveis no raio-X, é a ressonância magnética das articulações sacroilíacas e da coluna. O raio-X simples também é utilizado para avaliar alterações estruturais, como erosões e a própria fusão vertebral (anquilose).

Exames laboratoriais, como a pesquisa do marcador genético HLA-B27 e a dosagem de proteína C reativa (PCR), complementam a avaliação, embora não sejam diagnósticos por si só.

Abordagens de tratamento: do controle da inflamação à reabilitação

O tratamento da Espondilite Anquilosante é individualizado e tem como objetivos principais: controlar a dor e a inflamação, preservar a amplitude de movimentos e a função postural, prevenir complicações e manter a qualidade de vida. Alguns tratamentos englobam:

  • Anti inflamatórios não esteroides (AINES): São a primeira linha para o controle da dor e da inflamação na maioria dos casos.
  • Antirreumáticos modificadores da doença (DMARDs): Como a sulfassalazina, podem ser úteis para sintomas periféricos (articulações de braços e pernas).
  • Terapia Biológica: Uma revolução no tratamento da EA. São medicamentos injetáveis que atuam bloqueando alvos específicos da inflamação, como o fator de necrose tumoral alfa (TNF-alfa) ou a interleucina-17 (IL-17). Eles são indicados quando há doença ativa, apesar do uso de AINES, e são altamente eficazes em controlar os sintomas, retardar o progresso radiológico e melhorar a função.
  • Exercícios e Fisioterapia: A atividade física é parte indispensável do tratamento. Um programa de exercícios personalizado, supervisionado por um fisioterapeuta, visa ajudar a manter a flexibilidade, fortalecer a musculatura paravertebral e abdominal, melhorar a postura e a capacidade respiratória. Alongamentos, exercícios de mobilização da coluna e atividades como natação e pilates são extremamente benéficos para preservar a amplitude de movimentos.
  • Intervenções Minimamente Invasivas: Em casos selecionados, com dor focalizada e refratária, procedimentos como infiltrações (bloqueios) com corticosteróides guiadas por imagem podem oferecer alívio significativo e temporário, servindo como um adjuvante no programa de reabilitação.

Vivendo bem com espondilite anquilosante

O manejo bem-sucedido da EA vai além da medicação. Envolve um estilo de vida ativo, a cessação do tabagismo (crucial, pois o fumo agrava a doença e piora a função pulmonar), uma alimentação balanceada e o acompanhamento regular com uma equipe especializada.

A educação do paciente sobre sua condição é fundamental para o autocuidado e a adesão ao tratamento.

O diagnóstico de uma doença crônica como a EA pode ser desafiador, mas com os avanços terapêuticos atuais e um acompanhamento especializado, é perfeitamente possível controlar os sintomas, minimizar o impacto funcional e levar uma vida ativa, produtiva e com excelente qualidade de vida.

O ideal é que ao sentir dor nas costas que não passa ou intensifica com o passar dos dias e semanas, deve-se procurar um médico especialista para investigar o que pode estar acontecendo.

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